Lages reafirma sua posição como o coração cultural da Serra Catarinense neste último final de semana de abril. A cidade, que respira história em suas coxilhas, prepara-se para um encontro singular entre o vigor das novas expressões artísticas e o respeito solene às suas raízes. Com a realização da etapa classificatória do Festival Catarinense de Danças Populares e a celebração do Dia do Tropeiro, Lages não apenas oferece entretenimento, mas promove um diálogo necessário entre o presente e o passado.
O Festival Catarinense de Danças Populares, que ocorre nos dias 24 e 25 de abril, transforma o palco serrano em um mosaico de identidades. Ao reunir grupos que exploram tradições cênicas nacionais e internacionais, o evento cumpre um papel pedagógico fundamental: ele retira o folclore do campo da estagnação e o coloca em movimento. A dança popular é, por essência, uma linguagem viva. Quando Lages recebe essa diversidade, ela se abre para o mundo, permitindo que a técnica acadêmica e a expressão ancestral se fundam em um espetáculo de cores e ritmos que movimentam a economia criativa local.
Entretanto, a efervescência do festival ganha uma profundidade maior ao culminar no domingo, 26 de abril, com o Dia do Tropeiro. Se no palco a dança celebra a diversidade, nas ruas e monumentos a homenagem ao tropeirismo celebra a fundação. O tropeiro não foi apenas um transportador de gado; ele foi o primeiro integrador cultural da região, responsável por moldar o sotaque, a culinária e o caráter do povo lageano. Celebrar esta data é um ato de resistência cultural em um mundo globalizado, garantindo que o progresso da cidade não apague as pegadas de quem desbravou o planalto.
Em suma, este final de semana em Lages oferece mais do que uma agenda de lazer. Trata-se de uma afirmação de identidade. Enquanto os dançarinos giram nos tablados, o espírito do tropeiro permanece vigiando as tradições. Para o visitante ou para o morador, a mensagem é clara: Lages é uma cidade que sabe para onde vai, justamente porque jamais esqueceu de onde veio. É no equilíbrio entre o movimento da dança e a solidez do rastro que a Serra Catarinense encontra sua verdadeira grandeza.
📍 Destaque: O Festival ocorre no Teatro Marajoara, enquanto as homenagens ao Dia do Tropeiro se concentram no Parque Jonas Ramos e monumentos históricos.






Deixe um comentário