A Festa Nacional do Pinhão sempre foi mais do que uma sequência de shows. Ela é identidade, tradição, pertencimento e, acima de tudo, a vitrine da alma lageana. E é justamente por isso que a diferença entre o Recanto do Pinhão e o Parque Conta Dinheiro nesta edição ficou tão gritante.
Enquanto o coração da cidade pulsa forte no Recanto, o parque parece ter perdido justamente aquilo que transformava a chegada da Festa do Pinhão em um verdadeiro espetáculo visual.
Se existe um ponto que merece reconhecimento nesta edição da Festa Nacional do Pinhão, ele atende pelo nome de Recanto do Pinhão. A estrutura montada no centro de Lages mostra cuidado, planejamento e, principalmente, entendimento do que representa uma festa popular.
A prefeita Carmen Zanotto e sua equipe acertaram ao transformar novamente o Recanto em um ambiente acolhedor, vivo e com identidade cultural. E isso não aconteceu por acaso. O trabalho já vinha sendo desenhado desde a edição passada e, neste ano, ganhou ainda mais força.
O espaço está bonito, organizado e convidativo. Há atenção para todos os públicos. Desde os parquinhos para as crianças até as tendas das entidades, passando pelas apresentações artísticas, gastronomia e pela valorização da cultura serrana. Tudo conversa entre si. Tudo tem cara de Festa do Pinhão.
E talvez esteja justamente aí a grande diferença.
Porque festa não se resume a palco e artista nacional. Festa é experiência. É clima. É fazer o cidadão sentir que a cidade está vivendo algo especial.
No Recanto, isso acontece.
Já no Parque de Exposições Conta Dinheiro, infelizmente, o sentimento é outro.
E não se trata de atacar gratuitamente ou ignorar o esforço de quem trabalhou na montagem. Mas é impossível não perceber a diferença brutal entre o que já foi apresentado em anos anteriores e o que está sendo entregue agora.
Quem frequentou outras edições se acostumou com uma entrada impactante, estruturas metálicas grandiosas, iluminação marcante e aquele famoso “efeito visual” que fazia qualquer pessoa entender imediatamente: “a Festa do Pinhão começou”.
Havia imponência.
Havia identidade.
Havia aquele ar de grandiosidade que transformava o Parque Conta Dinheiro em um cartão-postal temporário da cidade.
Neste ano, porém, sobra simplicidade e falta emoção.
A decoração parece tímida, econômica e sem personalidade. Falta vida. Falta impacto. Falta o detalhe que encanta. E quando se entra no parque, a sensação é de que algo ficou pelo caminho.
É importante deixar claro: a obra artística instalada na entrada possui mérito, beleza e merece reconhecimento. O problema é que ela, sozinha, não sustenta o peso visual e simbólico que a Festa Nacional do Pinhão exige.
A impressão é de que o parque perdeu justamente aquilo que fazia dele grandioso.
E isso abre um debate importante: até que ponto a Festa do Pinhão pode correr o risco de virar apenas uma agenda de shows?
Porque Lages nunca construiu sua maior festa somente em cima de artistas nacionais. A essência sempre esteve na cultura, na ambientação, na tradição, no cheiro de pinhão, no visual serrano, no sentimento de pertencimento.
O Recanto entendeu isso.
O Parque Conta Dinheiro, neste ano, parece ter esquecido.
E talvez seja justamente por isso que muitos lageanos estejam saindo do centro da cidade com o sentimento de orgulho… enquanto chegam ao parque com a sensação de frustração.
No fim das contas, fica uma constatação quase inevitável: graças ao Recanto do Pinhão, a Festa do Pinhão ainda mantém viva sua essência em 2026.
Porque Festa do Pinhão não é só show.

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