Dois policiais militares do Amazonas foram presos em Porto Belo, no Litoral Norte de Santa Catarina, nesta quarta-feira (20), durante uma operação contra um esquema de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 24 milhões. Ao todo, 20 investigados foram presos em diferentes estados do país durante a operação Covil do Mamon.
Segundo a Polícia Civil do Amazonas, as investigações apontam que os suspeitos integravam duas organizações criminosas responsáveis por empréstimos com juros abusivos e cobranças violentas. Os grupos também são investigados por homicídios consumados e tentados, tortura, sequestro e cárcere privado.
De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil do Amazonas, Bruno Fraga, a operação teve como alvo os principais núcleos das organizações criminosas.
“A Polícia Civil realizou mais uma investigação qualificada para combater dois núcleos de organizações criminosas, que estavam voltadas para auferir lucro através de extorsão e agiotagem. Essa operação foi coordenada pelo Departamento de Polícia Metropolitana. O núcleo operacional, o núcleo financeiro e o núcleo mandatário dessas organizações foram presos e responderão por uma série de crimes”, afirmou.
PMs do AM são presos em praia de SC após troca de informações
A ação contou com apoio dos departamentos de Polícia Metropolitana (DPM), Inteligência de Polícia Civil (DIPC) e Polícia Técnico-Científica (DPTC), além da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e da Polícia Militar do Amazonas (PMAM). O trabalho de inteligência foi fundamental para localizar os dois policiais militares em Santa Catarina.
Ao todo, 20 investigados foram presos em diferentes estados do país durante a operação Covil do MamonFoto: PCAM/Divulgação/ND Mais“O trabalho conjunto, esse esforço de comunicação entre as agências de inteligência, o nosso núcleo de inteligência da Polícia Civil, foi fundamental para que nós conseguíssemos localizá-los no estado de Santa Catarina e a prisão foi efetuada”, completou Bruno Fraga.
A investigação começou após uma mulher procurar a polícia relatando um suposto caso de aborto. A partir disso, os investigadores identificaram um esquema de empréstimos de pequenos valores com juros considerados abusivos.
“A investigação começou a partir de um provável caso de aborto. Nós fomos procurados por essa moça que supostamente teria sido objeto de um provável aborto. Nós aprofundamos as investigações e entendemos que tratava-se de uma grande rede de extorsão a partir do empréstimo de valores pequenos com juros abusivos e extorsivos, que geravam quantias de dívidas absurdas”, comentou o delegado Fernando Bezerra.
Segundo ele, os criminosos utilizavam o medo e a violência para forçar os pagamentos. Há relatos de vítimas que perderam imóveis e veículos por conta das cobranças.
“Temos casos de R$ 150 emprestados que se tornaram R$ 45 mil de dívida. Temos casos em que a dívida progrediu para mais de R$ 400 mil. É uma forma extremamente inescrupulosa de cobranças através de lesão corporal e ameaças acintosas. Temos catalogados homicídios derivados desses atos de cobrança”, relatou Bezerra.
Entre os casos investigados, está o de uma mulher que sobreviveu após ser baleada três vezes. Outra vítima teria tido um apartamento tomado pelos criminosos, enquanto uma terceira perdeu um carro como forma de pagamento da dívida.
Ao longo da operação, a Polícia Civil cumpriu 31 mandados de busca e apreensão, além do sequestro de 42 veículos e sete imóveis. Também houve bloqueio judicial de contas bancárias e suspensão das atividades de sete empresas ligadas aos investigados.
As investigações apontaram ainda que o esquema de lavagem de dinheiro ultrapassava as fronteiras do Amazonas, alcançando os estados da Paraíba, Roraima e Santa Catarina. Dos 20 presos, sete foram detidos em Manaus e 13 fora do Amazonas.
Durante a ação, os agentes apreenderam armas de fogo, espadas, computadores, celulares e outras mídias digitais. A polícia não descarta uma segunda fase da operação.
Conforme o diretor de comunicação da Polícia Militar do Amazonas, major Andrey Oliveira, os policiais militares presos já respondiam a processos criminais e estavam afastados das funções.
“Reafirmamos que a Polícia Militar do Amazonas não compactua com esses casos de corrupção policial. Eles já respondiam a um processo administrativo disciplinar anterior e aguardaremos o desfecho dessa investigação da Polícia Civil para colocar ação administrativa novamente em cima desses policiais e, quem sabe, conseguir a exclusão de policiais que não compactuam com o dever da Polícia Militar”, afirmou.

Deixe um comentário