“Parecia que era um sonho, porque lá na água, parecia uma eternidade. Eu pensei que eu ia morrer muitas vezes” relata Bruna Damaris Sant’Anna da Silva, de 26 anos, que foi resgatada no último domingo (24), após passar mais de 40 horas à deriva, boiando em alto-mar no litoral de São Paulo.
A jovem concedeu entrevista exclusiva ao Domingo Espetacular, da RECORD, e relembrou os momentos de terror em meio a luta pela sobrevivência.
VÍDEO: Mulher que ficou 42h à deriva relembra momentos em alto mar
Mulher que ficou 42h à deriva em Ilhabela relembra terror vividoVídeo: Halttemberg Brasil/Domingo Espetacular/RECORD/ND Mais
De acordo com o R7, Bruna e o amigo Dheoge Pereira Bernardino, de 28 anos, estavam em uma confraternização com amigos em uma lancha na Praia de Ponta das Canas quando decidiu sair para um passeio de moto aquática. Eles não retornaram ao ponto de origem.
Ao perceber o desaparecimento, os amigos acionaram as autoridades e iniciaram buscas ainda na noite de domingo, com apoio de pescadores. As operações passaram a contar com o Corpo de Bombeiros e a Marinha do Brasil.
As buscas da Marinha se estenderam pela noite com a ajuda dos Bombeiros e da Polícia Militar. Mas foi um pescador quem chegou até Bruna, por acaso, ao mudar rota: “Acho que é Deus, né? Não tem outra explicação”, reflete o pescador Alex Quintino dos Santos.
Ela foi encontrada a cerca de 30 quilômetros de distância do ponto que desapareceu.
“Eu estava no leme do barco ali. Aí eu olhei para frente, aqui do lado, uns 100 metros do lado. Eu avistei uma pessoa na água. Eu nem sabia se era homem ou mulher. Bem fraquinho, levantou a mão lá. Aí eu falei, pode ficar com a mão que eu estou te vendo. Eu vou para cima. Eu estava longe do lugar que estava. Não era possível ter alguém nadando ali”, conta Alex.
Bruna foi levada ao hospital, onde ficou internada até a última terça-feira (26).
Momentos de terror
Com as marcas do colete no pescoço e nos braços, a jovem conta que a moto aquática apresentou um problema logo depois que saíram do campo de visão dos amigos.
“Deu pane. Ele parou de funcionar do nada. Tanto é que quando o meu amigo falou que estava parando de funcionar, eu simplesmente peguei e falei, você está brincando? Você está de brincadeira comigo? Ele, não, está parando. E aí, quando a gente foi ver, não estávamos muito longe da lancha”, relembra a jovem.
Bruna conta que, ao perceber que a ilha ainda parecia próxima, sugeriu ao amigo que os dois deixassem a moto aquática e nadassem até a costa. Os dois amarraram os coletes um ao outro e entraram na água.
Contudo, no meio do percurso, ela começou a entrar em desespero. Sem conseguir avistar ninguém por perto, gritava por socorro e pedia ajuda, enquanto o medo tomava conta da situação.
Aos poucos, a moto aquática começou a afundar. E eles ficaram sozinhos, apenas com os coletes em alto-mar: “Naquele momento eu comecei a chorar, comecei a me desesperar, porque eu falei que eu não queria morrer, eu não queria ficar ali, que eu só queria ir para casa”, diz Bruna.
As esperanças se renovaram na manhã de segunda-feira (25), quando eles viram os primeiros helicópteros. Bruna afirma ter dormido ou desmaiado algumas vezes. E por isso não sabe em que momento o amigo desapareceu. Ela conta que depois de 24 horas à deriva, passou a ter alucinações.
Até que 42 horas depois, Bruna finalmente avistou um barco: “Na hora em que eles me pegaram e eu desabei, porque meu corpo não aguentava mais, eu estava com muita dor, muito cansada. A primeira coisa que eu falei para eles: o meu amigo está lá em alto-mar, vai atrás dele, vai lá buscar ele”.
Sobrevivência
Para o fisiologista Diego Leite de Barros, o caso de Bruna é um caso clássico de situação de sobrevivência, em condições de muito perigo, como a temperatura da água, por exemplo.
“Mesmo que não seja uma água muito gelada, o corpo, submerso ali muito tempo, começa a perder calor. E aí ela passa a ter um estado de hipotermia, que é a redução da temperatura corporal. Isso é muito perigoso, principalmente em longos períodos, que foi o caso dela, que ela ficou ali quase 48 horas dentro da água”, explica.
Após o resgate, e com uma nova chance de vida, Bruna comemora: “Vou ter dois aniversários agora. Duas festas para comemorar”.
Buscas seguem
A moto aquática utilizada pela dupla foi localizada ainda no início das buscas. O celular de um dos desaparecidos estava na embarcação, mas a baixa carga da bateria dificultou tentativas de rastreamento.
As buscas seguem para localizar Dheoge. Familiares já foram informados e acompanham o caso.
Buscas seguem por Dheoge Pereira Bernardino, de 28 anos, após resgate de mulher que ficou 42h à derivaFoto: Reprodução/Domingo Espetacular/RECORD/ND Mais“Eu tenho esperança de que ele está vivo e vamos encontrar ele. Não sei onde, mas vamos encontrar ele”, afirma Messias Chagas, pai do rapaz.
*Com informações do R7

Deixe um comentário